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Haiti

Boa tarde, espirros de pica (como disse um Equatoriano que conheci recentemente no Festival de Inverno de Garanhuns) senhoras e senhores leitores. Todos devem ter notado minha ausência essa semana. Essa, foi puxada de verdade. Estive em Maceió – AL, de lá, corri direto para Garanhuns – PE, para só então vir para casa. Mas isso não interessa. Quero me desculpar com vocês. Espero que entendam. :)

Para o post de hoje (que era pra ter saído ontem), eu separei um material sobre o Haiti. Pouco se fala de lá aqui no site, e o que não falta é morte, fome e crueldade. Ao saber que eu era agora um dos autores do IÉB, meu amigo Osvaldo César me mandou um montão de fotos que serão postadas no fim do post, do tempo que ele passou por lá com o Exército Brasileiro, segundo ele, lá pelo ano de 2005. Não sei se ele já compartilhou essas fotos com outros sites do gênero, ou em redes sociais… Sei que as fotos são impressionantes. Vamos lá. Estive procurando na net, textos que explicassem bem, e de forma clara a situação do país. Achei um da Revista Veja, que define bem. Vejam:

“Haiti
O país que devorou a si próprio

Engolfado por uma guerra civil, o Haiti é
o exemplo de nação que não deu certo

Quando se tornou a primeira nação negra independente, em 1804, o Haiti era motivo de orgulho para sua população e deinternacional5 temor para as potências da época. Responsável por 75% da produção mundial de açúcar, o país esbanjava riqueza e tinha saído vitorioso de uma revolta liderada pelos escravos contra a dominação francesa. Ao expulsarem as tropas enviadas por Napoleão, os negros haitianos deram uma contribuição decisiva à causa abolicionista na Europa e nos Estados Unidos. Passados dois séculos, não há motivos para os 7,5 milhões de haitianos comemorarem. Entre os países das Américas, o Haiti é o mais pobre e o que tem o maior índice de mortalidade infantil, de desnutrição e de casos de aids. De cada dez haitianos, oito estão na miséria. O desemprego atinge 60% da população e, para piorar, a nação, que divide com a República Dominicana uma ilha no Caribe, caminha para a guerra civil. Bandos armados controlavam, na sexta-feira passada, as maiores cidades do interior e preparavam o assalto final à capital, Porto Príncipe. Eles exigem a renúncia do presidente Jean-Bertrand Aristide, que permanecia entrincheirado no palácio do governo.

A única solução à vista para evitar que se repitam os massacres ocorridos em 1991, quando Aristide foi deposto por um golpe militar, seria uma intervenção militar internacional. Em teoria, bastariam umas poucas centenas de policiais bem armados, talvez franceses ou canadenses, com apoio logístico americano, para pôr ordem na baderna. O problema é que ninguém sabe o que fazer depois. Em 1994, tropas americanas devolveram o poder a Aristide e, enquanto estiveram por lá, houve certa ordem. Quando os soldados partiram, tudo desandou. Aristide é um presidente inepto, corrupto e que fraudou sua reeleição. A oposição é formada por facínoras. O Haiti é o exemplo de nação que não deu certo. É estudado nas academias como um caso de fracasso do esforço internacional em ajudar um país a se reerguer. Até o Banco Mundial suspendeu a ajuda monetária em 2000, devido à roubalheira.

Como é possível a colônia mais rica do mundo ter se transformado numa nação de miseráveis? O drama do Haiti pode ser atribuído a vários fatores, alguns deles externos. Mas, se o país está hoje no fundo do poço, a culpa maior é dos próprios haitianos. Em 200 anos de independência, eles não conseguiram sair do ciclo de golpes militares, ditaduras, assassinatos políticos, guerras civis e corrupção. A cada seis anos, em média, um governo é deposto pela força. Os problemas começaram com a guerra da independência, que devastou a infra-estrutura agrícola montada pelos colonialistas franceses. O novo país já nasceu falido. Além de destruírem a galinha dos ovos de ouro, os haitianos acabaram vítimas da própria ousadia revolucionária. Temerosos de que a rebelião de escravos se espalhasse mundo afora, os Estados Unidos e a maioria das nações européias se recusaram a reconhecer a independência do novo país e a fazer negócios com ele.

O isolamento após a independência forçou os haitianos a se virarem sozinhos. Os escravos somavam mais de 90% da população, na maior parte analfabeta e sem nenhuma experiência administrativa. A disputa pelo poder contrapôs a maioria negra aos mulatos. Mais instruídos, os mulatos rapidamente formaram a nova elite. O primeiro presidente foi assassinado, houve uma guerra civil e o novo chefão, Henry Christophe, autoproclamou-se rei Henry I. Ele ergueu um palácio suntuoso e obrigou os ex-escravos a voltar à força para as plantações de cana-de-açúcar. A sucessão de golpes, ditaduras e conspirações nunca mais deu trégua. Até mesmo os Estados Unidos meteram a colher no Haiti. A intervenção militar, iniciada em 1915, durou quase vinte anos. Os americanos fizeram obras de infra-estrutura, construíram 1.600 quilômetros de estradas e até ajudaram a redigir uma Constituição. Nada disso adiantou: o país retomou a rotina de violência e roubalheira de ditaduras, como a da família Duvalier. Primeiro, com François Duvalier, o Papa Doc. Depois, com Jean-Claude, o Baby Doc. Juntos, desviaram o equivalente a 500 milhões de dólares dos cofres públicos em três décadas no poder.

Em 1904, durante as comemorações do primeiro centenário de independência, o então presidente Rosalvo Bobo chegou a lamentar o “século de escravidão de negros por negros” e lançou um desafio: que os haitianos tivessem algo melhor para comemorar no segundo centenário, em janeiro de 2004. O que se vê é a expectativa de um banho de sangue. “A única esperança para o Haiti é uma maciça intervenção externa, com tropas para evitar uma tragédia e dinheiro para reconstruir a nação”, disse a VEJA o canadense Ken Boodhoo, professor da Universidade Internacional da Flórida e estudioso do Haiti. Dos haitianos, como mostra a história, não dá para esperar nada.

Quem quiser saber mais sobre o Haiti, pode clicar AQUI e ler sobre o país na Wikipedia.

As fotos a seguir, são de ANTES do terremoto de 7.0 que atingiu o país. Créditos das imagens a Osvlado César, tanto pelo envio quanto pela captura das imagens. Procurei alguns vídeos, mas só achei cenas do terremoto, optando assim por não postar. Segundo Osvaldo, as cabeças cortadas são para dificultar a identificação. Os corpos queimados, são explicados da seguinte maneira: Ou a família recolhe o cadáver, ou ateiam fogo para diminuir o mal cheiro. Os que não são queimados, apodrecem e servem de alimento para os animais.

É um país sem condições de vida. É uma pena que nos tempos atuais, ainda existam lugares assim.

Por hoje é só, pessoas. Ah, olha a caricatura que o Equatoriano Davi (que citei no começo do post) fez de mim e de outros dois amigos:

Caricat

Hahahaha! Davi, adorei o presente, man. Quem me tem no Facebook, e já deu um olhadinha em meu álbum, sabe que eu sou o do meio. Rsrsrsrsrs.

Sugestões no [email protected] ou no Facebook.

Até a próxima. Beijo na bunda! :P

Written by Peu

Namorado da Miss Sombra, sou apaixonado por voar e por música. Um Pernambucano que gosta de tudo um pouco.
"Sou o coração do folclore nordestino, eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá. Sou o boneco do Mestre Vitalino, dançando uma ciranda em Itamaracá. Eu sou um verso de Carlos Pena Filho, num frevo de Capiba, ao som da orquestra armorial. Sou Capibaribe num livro de João Cabral.

SOU MAMULENGO DE SÃO BENTO DO UNA, vindo no baque solto de um Maracatu! Eu sou um alto de Ariano Suassuna, no meio da Feira de Caruaru. Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta, levando a flor da lira pra Nova Jerusalém... Sou Luis Gonzaga e eu sou mangue também.

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte... Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte.

Sou Macambira de Joaquim Cardoso. Banda de Pífano no meio do Canavial. Na noite dos tambores silenciosos, sou a calunga revelando o Carnaval. Sou a folia que desce lá de Olinda, o homem da meia-noite puxando esse cordão... Sou jangadeiro na festa de Jaboatão

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte... Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte."

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