,

Filmes Bizarros #03 – Holocausto Canibal

Eai galera, sussa na marula?

Esse é o terceiro post sobre filmes e, após diversas dicas (sim eu leio todas e anoto todas, então se você deixou a sua pode ter certeza que um dia ela vai estar aqui) eu fui no mais comentado. Antes de começar queria deixar só um comentário: Vocês são mais sanguinários do que eu pensei.

Ficha Técnica:

Diretor: Ruggero Deodato
Elenco: Robert Kerman, Francesca Ciardi, Perry Pirkanen, Luca Barbareschi, Salvatore Basile, Ricardo Fuentes, Carl Gabriel Yorke
Trilha Sonora: Riz Ortolani
Duração: 95 min.
Ano: 1980
País: Itália
Gênero: Terror

Holocausto canibal conta a história do professor Harold Monroe (Robert Kerman)  da universidade de Nova York que vai à Amazônia em busca do grupo formado por Alan Yates (Carl Gabriel Yorke), Faye  Daniels ( Francesca Ciardi), Jack Anders (Perry Pirkanen) e Mark Tomaso (Luca Barbareschi) documentaristas famosos que gravariam sobre “O inferno verde”  que dois meses após a ida ainda não havia noticias. Com a direção de Ruggero Deodato e com baixa renda para a produção o filme mostra claramente o preconceito dos homens brancos com a cultura e o modo de vida dos nativos.

Por ser um filme que retrata sobre duas realidades paralelas ( a primeira quando Harold sai em busca dos documentaristas e a segunda é quando, já de volta a Nova York, o professor assiste o filme gravado pelos jovens) ele fica meio confuso no inicio, sem você perceber qual é a real intenção do diretor, porém, após muuuuuuito tempo, a intenção fica clara.

Para ajuda-lo a encontrar os “astros” é formado uma equipe de busca que é maravilhosamente constituída por um guia – um fodão que sabe tudo sobre o lugar – e que no final não faz nada ( eu não sei se é moda da época ou clichê de todos os filmes que alguém vai pra selva)  – com um nativo capturado – já começa transparecer a violência do homem branco – e com um ajudante do guia – que é sempre mais bonito que ele, mais esperto e que sempre salva tudo.

Nas primeiras cenas já na selva começa a critica do filme. Os soldados entram atirando em tudo que se mexe e matando vários nativos que, pra se defenderem, retrucam com zarabatana envenenada e ainda são classificados como violentos.

E então vem uma das coisas mais desnecessárias – não irei entrar em discussão – que eu encontrei no filme: A morte dos animais são reais. Repugnante, crueldade… Mas prosseguiremos…

O professor encontra uma aldeia e nela um índio desesperado que mostra toda sua dor…Percebe-se que ele esta relatando o que os “amigos” dele causaram na aldeia. Nota-se mais dois toques de critica: Eles não são tão “violentos” assim como se imaginavam e, ao contrário do que se pensava, eles também tem sentimentos e dor. Segundo, após mostrar um canivete, os índios ficam loucos com o objeto novo e tecnológico. Da para perceber, então, como foi a chegada dos Portugueses aqui no Brasil.

Harold e sua turma (euri) salvam uma tribo do ataque de uma rival e tem como ‘recompensa’ um pouco de confiança desses nativos, mas, segundo o próprio professor: “Embora eles se comportem bem esquisito com a gente. Uma mistura de medo e desconfiança”. Para tentar uma maior aproximação e ganhar ainda mais a familiaridade dessa tribo o professor resolve se adaptar ao meio de vida dos Yamamomo: Tirou toda a roupa e viveu como eles. Com isso, conseguiu proximidade de algumas nativas. O engraçado é que nessa cena mostra uma coisa bem interessante: índios não tem pelos nos rostos e no corpo, por um fator genético  E, quando essas nativas ficam próximas elas passam a mão no rosto do professor como se quisesse descobrir o que é aquilo. Achei super interessante essa abordagem. Magnifico.

Com a confiança dos nativos e usando a sua tecnologia ao seu favor o professor consegue recuperar os rolos de filme dos 4 jovens. Assim começa a ”segunda” parte do filme.

Harold luta para que esse filme não seja criado e mostrado ao mundo. Nele mostra como os documentaristas são pretensiosos e mesquinhos. Usam e abusam da violência contra os nativos sem nenhum pingo de respeito pela sua cultura e modo de vida. Acusando-os até mesmo de pararem no passado e não seguir a evolução. Eles entram na aldeia e acabam com tudo. Poem fogo, estupram as mulheres e todas essas barbaridades. Eles estão em busca de violência e diversão causadas pelos nativos, mas não encontram ela de graça.
“O tempo parou quase 3 mil anos” Essa foi a frase de um dos rapazes.

Ao mostrarem a guerra que vivem as tribos locais eles os definem como “Só para terem uma ideia de quão selvagem são”. Isso, na minha opinião, causa uma grande ironia com o modo como estes atacam as tribos a favor de nada, apenas por diversão. Mais um ponto interessante.

Enquanto estão caminhando pela florestas encontram uma índia a agarram e dizem “eu me encarrego desse macaco” e  estupram, um de cada vez enquanto Faye, um pouco horrorizada e com medo do rolo de filme acabar, tenta separar.

Após isso, não mostra mais o que aconteceu com a nativa e então surge uma duvida – pelo menos em mim – Uma índia é encontrada com um tronco atravessado do anus (ou a vagina, não soube identificar) até a boca. Um dos rapazes solta um sorriso desdenhoso e em seguida ouve-se a voz do câmera “Atue, Alan, estou filmando” e então Alan finge uma incredulidade inexistente, com um tom de ironia diz que não pode acreditar em tamanha crueldade acusando o ato de ser um obscuro rito sexual ou uma forma primitiva de demonstrar respeito pela virgindade. Pelo rolo do filme esta acabando não mostra muito claramente. Mas pra mim, ficou um ar de que eles fizeram aquilo com a nativa que estupraram para mostrar o quanto cruel os índios são. O que fortalece essa minha ideia é o olhar de reprovação de Faye enquanto Alan está falando. Isso ficou no ar, pois não foi afirmado no filme.
Sabe aquele ditado de “quem procura acha?” O final do filme mostra como isso ocorre. Após diversas acusações dos índios como “agressores e violentos” eles finalmente podem ter a certeza.

O filme termina com um pensamento do professor: “Me pergunto quem são os verdadeiros canibais” E, claro, é a minha pergunta também.

 

Algumas curiosidades que eu gostaria de deixar aqui:
O filme foi acusado de ser do tipo snuff ( pessoas morrendo de verdade em frente as câmeras) e isso deu um problemão pro diretor que até foi acusado e detido. Mas, após investigações, ele foi liberado e comprovado que não ocorreu morte de nenhuma pessoa, apenas de animais.
Foi um dos pioneiros (se não O pioneiro) a realizar a filmagem do tipo mockumentary (falso documentário) logo depois foi seguido por vários filmes nesse estilo (bruxa de Blair, REC , atividade paranormal)

 

Sei que ficou meio grandinho, mas achei que o filme merecia uma atenção especial. É meio chato quando você assiste sem nenhum olhar critico, mas depois você percebe o que o diretor quis com isso. Falando em diretor, irei deixar o vídeo de uma entrevista que o mesmo deu:

Mas, após esse texto imenso, você estiver cansado e não quiser ver o vídeo tudo bem, irei deixar alguns dos pontos que eu achei mais interessante: O diretor fala que quem deu a ideia do filme foi seu filho de 7 anos. Segundo o ele, o filho pedia pra desligar a televisão, pois só se via morte nos jornais.Então ele pensou: Os jornalistas podem mostrar tudo sem classificação de idade enquanto ele, um diretor, tinha seus filmes cortados e com classificação. Ele diz que essa é a mensagem do filme.

Ruggero ainda diz que a ideia genial foi pegar 4 atores do  Actor studios Nova York e propor que eles fizessem esse filme e ficassem um ano sem fazer mais nenhum fazendo com que criasse um suspense de “será que foi mesmo real?”

E aqui está o filme completo pra quem quiser se deliciar:

Written by cudocamelo

Sim, Cudo é uma menina.

Comentários