O que você verá nesta postagem é fato verídico, muito embora alguns incrédulos duvidem que tenha realmente ocorrido. Trata-se, nada mais nada menos, de um dos crimes que chocaram uma sociedade em remotos tempos da cidade onde vivo.
Como vocês “recentemente” viram aqui mesmo no Isso É Bizarro, e certamente aturaram a leviana reportagem no pasquim da mais que fraudulenta rede bobo, um crime semelhante aconteceu em Pernambuco, o caso dos salgadinhos humanos de Guaranhuns (Ou Guaranhus… Sei lá…) , E por este motivo também resolvi postar pra vocês esse macabro acontecimento, que também é um fato histórico de Porto Alegre.
Acompanhe primeiro, e levantaremos alguns pontos importantes depois:
(Puta merda: “Eu acredito em vampiro, eu acredito em fantasma, eu acredito em cartão corporativo, eu acredito “numontedicoisa”"… Sim né: Depois duma ervinha du demônho, nem duvido que ele veja os teletubbies… Takipariu…)
Ok… Se você viu então este curto documentário até aqui, vamos agora aos fatos:
Numa pequena cidade de 20 mil habitantes a descoberta de dois assassinatos põe todo mundo apavorado. Tratava-se de um comerciante português e um caixeiro seu, jovem de 16 anos. Os restos dos dois foram encontrados num velho poço, no fundo do pátio de uma casa simples, localizada numa rua central, a uma quadra do palácio do governo estadual. Ambos tinham a cabeça aberta por golpe de machado e ambos tinham sido degolados. Para completar o quadro, junto a eles foi encontrado o cadáver de um cachorro, que os habitantes da cidade sabiam ser do caixeiro assassinado.

(Porto Alegre na época dos crimes)

(Porto Alegre na atualidade, mesmo ângulo da foto anterior)
Foram presos um homem de 26 anos, José Ramos, nascido em Santa Catarina, e uma mulher que com ele morava, Catarina Palsen, húngara de nascimento, alemã de língua e cultura. Ele é acusado de ser autor dos assassinatos, ela de ser sua cúmplice. São levados a júri e condenados.

(O Assassino e sua cúmplice, ilustração de época)

(O assassino em ilustração atual… Ohwait!) – (Hehehe!).
José Ramos também degolou suas vítimas (e o cachorrinho). Quando foi preso, sua casa foi vasculhada. Descobriu-se uma outra ossada enterrada no porão, além de vários objetos que não pertenciam nem a ele, nem a sua companheira Catarina. Os exames cadavéricos conduziram a uma única conclusão: aqueles eram os restos mortais de um alemão, Carl Gottlieb Claussner, açougueiro sumido havia alguns meses. As coisas se complicavam para o assassino.

(Os jornais da época eram incontestáveis e o teor de veracidade era inigualável, muito diferente dos “jornais” de hoje, sejam televisivos ou impressos. Infelizmente, ainda nos dias de hoje não faltam pessoas com débil noção de julgamento e frágil percepção de realidade que ainda pensam, e pior ainda, “afirmam” que o caso foi “fictício”.)
José Ramos era amigo de Claussner. Freqüentavam-se as casas, e o brasileiro havia dito a várias testemunhas que tinha comprado o açougue do alemão e que ele, em seguida, havia voltado para sua terra, a Saxônia.
Mais pessoas são inquiridas, entre as quais dois outros alemães: um certo Henrique Rittman, tratado nos autos pela alcunha de “o Corcunda”, e Carlos Rathmann, já bem mais velho, na casa dos 60 anos, bêbado notório. Com o aprofundamento das investigações, chegou-se ao horror maior: essa pequena gangue, liderada por José Ramos, havia matado outras seis pessoas, no ano de 1863, todas elas de ascendência germânica, algumas vindas das colônias para comerciar em Porto Alegre, outras de passagem pela cidade. E não apenas morreram essas pobres criaturas: da carne de seus corpos, José Ramos, com apoio maior ou menor dos outros, havia feito lingüiça. Lingüiça que o açougue de Claussner havia vendido, inclusive para as melhores famílias da cidade.

(Gravura de Porto Alegre na década dos crimes. Apesar de ainda em expansão, não era uma cidade pequena.)

(Porto Alegre na atualidade: Nem mesmo esta foto consegue definir as proporções que a cidade tomou).
Mas quem era Jose Ramos? Ramos era filho de um português que lutara na Guerra dos Farrapos e de uma índia. Um dia precisou defender a mãe de ataque do próprio pai e do enfrentamento resultou a morte do velho. E foi apenas o primeiro horror de sua história.

(Gravura de época)

(Ainda nos dias de hoje, a cidade conserva muito de suas edificações antigas)
Já morando em Porto Alegre, José Ramos foi empregar-se na polícia. Aparentemente em função de sua enorme truculência – há registro de surras medonhas que impunha a presos ou a simples suspeitos –, foi desligado do serviço formal, mantendo, no entanto, um vínculo empregatício sólido, como informante do chefe de polícia da capital, Dario Callado, outro sujeito conhecido por sua violência – a crônica conta coisas de arrepiar, como uma surra que ele aplicou em um tenente com quem disputou uma cantora de opereta de passagem pela cidade, ou um castigo desproposital em escravos que estavam apenas e simplesmente caminhando por uma calçada do centro quando o chefe de polícia passava.

(Catedral do Centro de Porto Alegre na época dos crimes)

(Catedral do Centro de Porto Alegre na atualidade)
No processo, depois do assassinato do comerciante e seu caixeiro (e o cãozinho), a posição de José Ramos foi estranha. O próprio Dario Callado conduziu o inquérito (e um dos julgamentos também). Isso significa que o acusado era, de certa forma, um funcionário privilegiado da autoridade processante. Isenção nenhuma – e Décio demonstra, ao analisar a técnica de interrogatório, que Dario amoleceu as coisas para José Ramos.
O resultado foi que da pena de prisão perpétua retrocedeu-se para uma prisão por tempo limitado, e mesmo assim, dada a intimidade de Ramos com os esquemas policiais da cidade, ele teve muitas regalias. Tanto assim que ele só morreu em 1893, internado na Santa Casa, leproso – dois anos depois da morte de sua parceira Catarina, que durante o processo foi quem mais contou coisas dos bastidores da atuação de Ramos. Este, por sinal, jamais admitiu ter cometido qualquer dos crimes por que foi condenado.
![Como Carne 2.materia[1]](http://www.issoebizarro.com/blog/wp-content/uploads/como-carne-2-materia1.jpg)
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Outras fotos da mesma região dos históricos crimes em Porto Alegre:

(Antiga escadaria que liga a Fernando Machado (Rua do Arvoredo) á Duque de Caxias: Além e acima, um beco igualmente sinistro.)

(Neste mesmo beco, uma casa igualmente sinistra (e uma criatura mais sinistra ainda… ))

(Repare nos detalhes arquitetônicos: Este casarão encontra-se fechado á ANOS. Mesmo de dia, eu nunca vi NENHUMA destas janelas abertas…)

(Aproximando-se bem, pode-se notar que há ripas de madeira (bem apodrecidas, por sinal!) pregadas na parte interna de todas as janelas.)

(O mesmo casarão, visão frontal. Foto tirada na rua Duque de Caxias.)

(De volta á Rua do Arvoredo: Repare como algumas casas ainda conservam o estilo arquitetônico de época: Mesmo eu tendo 1,80 cm de altura, a porta desta casa é extremamente alta, medindo cerca de 3 metros, no mínimo. Havia gigantes morando aqui antigamente? WTF?)

(Mesma casa, mesma porta gigante from hell… Sem o flash da câmera, fica mais sinistro ainda… Mas tem coisas mais sinistras…)

(… Como a fachada destre outro casarão, por exemplo. Eu gostei! (Sério!)).

(E do “Arvoredo” antigo, creio que ainda restam algumas árvores.)
Matéria: Eduardo (Arrow_Strider).
Fotos: Smoking_Girl.
Ilustrações antigas: Google.
Nota 1: Ok, devido minha falta de tempo, não pude fazer esta matéria ainda mais abrangente como eu gostaria: Eu queria ir até a biblioteca pública e ver se conseguia fotocópias dos jornais de época com o caso… Mas sabem como é: Eu posso não ter lá tanta vida social, mas meu trabalho na empresa é em tempo integral, isso quando não sou convocado nos sábados também.
Nota 2: Há ainda MUITO sobre o caso: Livros, um longa metragem sendo produzido e muitas outras matérias á respeito. O que eu conseguir a mais, farei um update, prometo.
Nota 3: E um excelente final de semana aos senhores.
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