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Mitos e lendas: Monga, a mulher gorila

Olá, viciados em metanfetamina leitores que tanto amo! Ontem, domingão, dia de descanso para a maioria, estou eu em meu interior, na casa de meus amados pais, relaxado e assistindo o Pânico, quando passa algo que lembrou minha infância naquela mesma cidadezinha: Monga, a Mulher Gorila. Alguns dias atrás, um senhor de um parque de diversões (provavelmente o dono) me procurou no estúdio, em Recife, atrás de alguém que pudesse gravar o áudio, que roda durante os espetáculos. Eu estava sem ninguém para fazê-lo no momento, e o rapaz dizia ter urgência, pois tinha perdido sua gravação de forma que não me recordo, e que era necessária para suas apresentações, com início no finalzinho da tarde daquele mesmo dia. Logo, eu me arrisquei a fazer a locução, para assim, entregar a gravação o mais rápido possível. Achei muita coincidência, poucos dias após eu ter um trabalho relacionado com isso, passar em um famoso programa de TV. Isso me fez ter a ideia de montar uma possível nova série… a Mitos e Lendas.

MongaaNos anos 80, um fenômeno aterrorizou crianças de todo o Brasil. O pânico chegava na bagagem de um parque de diversões, o boca a boca amplificava a lenda e filas se formavam para testemunhar o horror: uma mulher linda (geralmente de biquíni) ficava presa dentro de uma jaula, enquanto um narrador explicava a tenebrosa transformação pela qual ela passaria. Pêlos cresciam, garras apareciam e dentes viravam presas. No clímax da metamorfose, o monstro destruía as grades e atacava o público, que fugia apavorado.

Existem várias versões dessa lenda. Varia muito de região, para região, assim como varia de nome (Monga, Conga, Zambora, Etc). Mas a história, é basicamente uma só: Uma mulher amaldiçoada que transforma-se em Gorila, diante dos olhos dos espectadores. Em algumas versões, a moça perde-se na selva, após seu avião cair, e encontra refúgio em um templo habitado por estranhos símios, dominados pelo espírito de um Imperador morto. Em outras versões, a moça pode ter sido mordida por um macaco, ser filha do Conde Drácula, ou até ter sido amaldiçoada por Zé do Caixão.

A lenda surgiu em meados da década de 60, e podia ser vista frequentemente em circos, parques de diversões e Freakshows espalhados pelo mundo a fora. E o interessante, é que o espetáculo descrito acima surgiu a partir de uma verdadeira “mulher-macaco”.

Mongaaa

Julia Pastrana

A primeira e verdadeira Monga era uma índia Mexicana, chamada Julia Pastrana. Nascida em 1834, Julia desenvolveu uma forma severa de hipertricose, doença raríssima que atinge uma em cada 300 milhões de pessoas, deixando o corpo coberto de pelos pretos. Também não ajudou muito o fato de Julia ter orelhas grandes, gengivas inchadas e mandíbulas estranhas – na época, chegaram a cogitar que ela teria duas fileiras de dentes, mas recentes exames de raios X na arcada dentária de seu corpo mumificado (calma, a gente chega lá) comprovaram que sua dentição era normal. Coloque essa aparência bizarra sob os cuidados de um homem explorador e você terá, na pior acepção da expressão, um show de horror.

Descoberta pelo comerciante Theodor Lent (que depois se casaria com ela), Julia passou a ser exibida em freakshows, que era caravanas de mulheres barbadas, pessoas deformadas e coisas estranhas que viajavam pela Europa e pelos EUA entre a 2ª metade do século 19 e a 1ª do 20. A moça tinha 20 anos quando estrelou seu primeiro espetáculo: A Incrível Híbrida ou Mulher Urso. No show, além de dar o ar de sua graça, Julia dançava e cantava – tinha uma voz bonita, dizem.

A grossa pelagem escondia uma moça educada e inteligente: Julia falava espanhol e inglês, adorava cozinhar e costurar. Morreu aos 26 anos, de complicações no parto, depois de dar à luz um filho que também sofria de hipertricose, e que acabou morrendo 3 dias depois de nascer. Nem isso preocupou Lent: o empresário mandou mumificar os dois cadáveres e continuou a exibi-los até sua morte, em 1880. As múmias reapareceram em 1921 nas mãos de Haakon Lund, um showman norueguês que viajou com os cadáveres por duas décadas. Hoje, Julia e o filho descansam no Instituto Forense de Oslo, longe do público apavorado dos parques de diversão.

Julia acabou inspirando vários outros donos de parques e circos, que acabaram usando a física ao seu favor, e criaram uma ilusão, onde era possível fazer uma moça nada bizarra virar um gorila mortal e sanguinário perante os olhos de uma plateia apavorada. Creio eu, que esses espetáculos tenham feito mais sucesso do que a própria Julia. Esse foi o primeiro “brinquedo” de terror dos parques de diversões. Na época, onde não existiam efeitos especiais avançados nem nas grandes produções de cinema, era possível presenciar uma metamorfose de um ser em outro, dentro de um pequeno Trailer, Caminhão Baú ou Ônibus, estacionados em qualquer lugar que fosse. Era de botar qualquer marmanjo pra correr. Claro, tudo não passava de um truque, como dito antes, uma ilusão criada com propriedades físicas.

Quanto ao truque, recentemente um filme nacional acabou por o revelar, e eu não gostei muito disso. Na minha opinião, a magia consiste em não sabermos o seu segredo. Após sabermos, perde a graça. Então, não venham me pedir para revelar o truque, e menos ainda, coloquem imagens ou vídeos com este conteúdo nos comentários, pois eu, como um amante do ilusionismo, rejeitarei os comentários que revelem este truque, para alguns, ainda desconhecido.

Abaixo, imagens e vídeos de algumas Mongas.

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O castelo de Mongaa

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Abaixo, uma reportagem do Fantástico sobre a Monga.

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Aqui, uma versão da Monga do parque Beto Carreiro.

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E aqui, a versão da Monga que mais me agradou. Essa versão, pode ser vista no Fantasilandia, em Santiago – Chile. É um mega espetáculo, com efeitos especiais, e movimentos sincronizados e cronometrados, além de um final surpreendente, mesmo para quem é fã de carteirinha das Mongas do Brasil, como eu. Se antes desse vídeo, eu gostava da Monga, depois dele, eu fiquei ainda mais apaixonado.

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E aqui, disponibilizo o áudio gravado por mim, citado no início do post. Aproveitei pedaços do vídeo acima, apenas para ilustrar, mesmo. Tipo, para não ficar passando o áudio e apenas uma foto estampada o tempo todo. Sim, a voz está alterada (quem já viu os vídeos de agradecimento e o que mostro minhas cobras, sabe que minha voz é bem diferente).

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Espero que tenham gostado. Se o post repercutir bem, eu posso vir a postar sobre outras lendas, Brasileiras ou estrangeiras. :D

No mais, sem mais. Sugestões, no [email protected] ou no Facebook. Tenham todos uma ótima semana. :)

Até a próxima. Beijo na bunda! :P

Written by Peu

Namorado da Miss Sombra, sou apaixonado por voar e por música. Um Pernambucano que gosta de tudo um pouco.
"Sou o coração do folclore nordestino, eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá. Sou o boneco do Mestre Vitalino, dançando uma ciranda em Itamaracá. Eu sou um verso de Carlos Pena Filho, num frevo de Capiba, ao som da orquestra armorial. Sou Capibaribe num livro de João Cabral.

SOU MAMULENGO DE SÃO BENTO DO UNA, vindo no baque solto de um Maracatu! Eu sou um alto de Ariano Suassuna, no meio da Feira de Caruaru. Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta, levando a flor da lira pra Nova Jerusalém... Sou Luis Gonzaga e eu sou mangue também.

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte... Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte.

Sou Macambira de Joaquim Cardoso. Banda de Pífano no meio do Canavial. Na noite dos tambores silenciosos, sou a calunga revelando o Carnaval. Sou a folia que desce lá de Olinda, o homem da meia-noite puxando esse cordão... Sou jangadeiro na festa de Jaboatão

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte... Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte."

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