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Entenda a Crise na Ucrânia – Entenda TUDO

Olá meus queridos leitores, jovens, joviais, jovelinos e mancebos emancipados.

Hoje tentarei dar uma explicação detalhada sobre o que se passa na Ucrânia e na Crimeia.

Comecemos a falar de tudo desde o início.
Tudo começou quando o governo ucraniano, sendo presidido por Viktor Yanukovich, desistiu de assinar, em 21 de novembro de 2013, um acordo de livre-comércio e associação política com a União Europeia, alegando que decidiu buscar relações comerciais mais próximas com a Rússia, seu principal aliado. Essa relação comercial com a Rússia, seria, na verdade, um empréstido de US$ 15 bilhões da Rússia para a Ucrânia e um desconto no valor do gás natural. SIM!!! Desconto no gás. Isso mesmo! Promoçaum y pra moçinha
Entendam que assinar um acordo de comércio e associação política seria muito mais vantajoso do que um empréstimo, pois causaria dependência por parte da Ucrânia para com a Rússia.

Viktor Yanukovich
Primeiramente, entendamos quem é Viktor Yanukovich. Viktor, que é de etnia russa, só aprendeu a falar ucraniano na vida adulta. Foi eleito com 35% dos votos, em primeiro turno. O mais estranho de tudo é que ele estava em quinto lugar, com apenas 5% das intenções de voto. Pesquisando mais afundo (porque confiar integralmente no Wikipedia não dá), pelo visto, o dia de votação foi tranquilo, calmo e com mais de três mil observadores estrangeiros observando o pleito. Isso serve para dar uma certeza a mais para a sociedade internacional numa região que há muito tempo é conturbada. PORQUÊ SERÁ, HEIN!?
A casa dele é avaliada em US$ 100 milhões. Vocês sabem o que é uma casa de 100 MILHÕES DE DÓLARES? É uma das casas mais caras do mundo. A título de conhecimento, a casa mais cara do mundo é de uma brasileira, Lily Safra, e vale R$ 1,2 bilhão, se preferir, por volta de US$ 500~600 milhões. E sim, essa é a resposta pra você que se perguntou se a casa dele é feita de ouro. Em partes. Os corrimãos são banhados a ouro. Mas pra quê isso? Sei lá, ué! A família dele possui uma fortuna estimada de US$ 12 bilhões. Na boa, nunca escrevi nada na minha vida com tanto número quanto esse post.

Para maiores informações cobre como é a casa dele, acesse: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/03/mansao-de-viktor-yanukovych-tem-campo-de-golfe-e-ate-mini-zoologico.html

A Ucrânia

Vamos entender a Ucrânia agora. A Ucrânia é um país falido. Sim! Falido. A Ucrânia, para o ano de 2014, tem vencimentos de US$ 13 bilhões e para o ano que vem a dívida aumenta em US$ 3 bilhões, totalizando US$ 16 bilhões. Se o governo tivesse aceitado o acordo de livre comércio e associação política com a UE, mesmo que a longo prazo, o país provavelmente tentaria colocar as contas em dia com a ajuda dos demais países europeus. Contudo, como o presidente é pró-Rússia, preferiu a ajuda econômica pois solucionaria grande parte dos problemas a curto prazo e entraria cada vez mais na esfera (estaria cada vez mais sob influência) de Moscou. Com as contas do país em dia, é muito mais fácil um candidato se reeleger do que com as contas fora de ordem. Talvez – eu disse talvez e isso não é fato – ele estivesse visando as eleições de 2015. Na verdade, pode-se dizer quase que certamente isso. rs
Realizando mais um pequeno comunicado que fará toda a diferença. Pela Ucrânia, passa 80% dos gasodutos que abastecem a Europa. Esses gasodutos têm origem na Rússia. 30% do gás que a Europa consome é russo. E aí? Olha a sinuca de bico do malandro! Nessas circunstâncias, podemos deixar a nossa imaginação fluir. A Russia pode aumentar os preços do gás, a Russia pode cortar o gás ou pode enfiar o gás todo no cu onde quiser.

Sim, meus jovens. O início disso tudo foi no ano passado e muitos nem ao menos sabiam disso, alguns meses após as manifestações no Brasil.
O problema é que lá, na Ucrânia, existe uma divisão pró-Rússia (tendo como principal agente o próprio Viktor Yanukovich) e oposicionistas pró-Europa.
No norte e no oeste, o idioma mais falado é o russo. Logo, é onde reside majoritariamente os movimentos pró-Russia.
Já na parte leste e sul a maioria fala ucraniano. É lá que reside a maioria da oposição, onde se concentrou a onda de manifestos e é exatamente nessa região que encontramos a capital da Ucrânia, Kiev.
A Ucrânia ficou mergulhada em protestos durante três meses. Deem uma olhada no vídeo abaixo e tenham uma maior noção dos estragos que ocorreram por lá.
O que acontece aqui é fichinha comparado com o que acontece lá, e durante um tempo maior porque nos países europeus eles já tem uma tradição de manifestações.

Separei também algumas fotos. O post continua mais pra baixo com maiores explicações.


OBS: Em algumas dessas fotos há black blocks.

Lá, meus caros, eles são manifestantes. Aqui no Brasil já se cogita a possibilidade da criação da “terrorificação”, isto é, tipificar em terrorismo alguns crimes cometidos por manifestantes. Pelo o que li, a pena mínima será de 15 anos em regime fechado. Por sua vez, os crimes do mensalão que são muito piores tem penas bem mais brandas. Não há nada definido, creio eu.
Poderíamos incluir a presidente neste quesito pois durante grande parte da ditadura ela lutou de forma armada contra o governo. Lutava contra o que achava que não estava certo. Exatamente como hoje. Vemos o que não está certo, vamos às ruas, nos manifestamos e somos achacados, tanto economicamente quanto politicamente. A principal diferença é que não lutamos armados e também não estamos numa ditadura. Ou será mesmo que não estamos numa ditadura travestida de “democracia vermelha”?

Voltando à vaca fria, após esses três meses e milhões de fotos que podem ser encontradas por toda a internet, o presidente Viktor Yanukovich, que presidiu a Ucrânia desde 2010, foi deposto pelo parlamento daquele país. Para ser mais correto, em 22 de Fevereiro de 2014. Foi deposto não só pela má gestão a frente do governo mas como também por promover uma corrupção tremenda nas instituições da Ucrânia e por alguns outros motivos mais ou menos importantes.

Depois da derrota e deposição do Vitinho – para os íntimos – do poder, os diversos manifestantes ocuparam a prefeitura, a Praça da Independência e ATÉ A CASA DO VITINHO, GENTE!!!! Tô passada! O governo começou a prender arbitrariamente (ou seja, sem motivo qualquer), criou leis que restringem a liberdade e segurança do indivíduo como: lei que proíbe o uso de capacetes, lei que proíbe a reunião de mais de 5 pessoas e uma lei que proíbe a ocupação de prédios públicos. Aí olhem como que a putaria ficou.

Manifestantes antigoverno incendeiam barricadas na Praça da Independência, em Kiev

Não querendo ser chato e tampouco neurótico. Tendo consciência que é vedado o direito de anonimato e disso não abro mão, foi criada uma lei que proibia o uso de máscaras de qualquer natureza. Se te pegarem usando uma máscara de gás pra se proteger, você tá fodido inteiramente ferrado. Em Brasília, pelo o que me lembre, alguns amigos meus, reivindicando a federalização da UniverCidade e da Gama Filho, duas faculdades que foram descredenciadas pelo MEC (e, por sua vez, com a Galileo Educacional – a empresa que administrava as duas – não ocorreu o mesmo, vai saber!!), foram presos arbitrariamente pelo entendimento de que, permanecer significa ocupar. São entendimentos constitucionais que vão além da minha reles mente. Até porque não fiz Direito então não entendo tanto de leis.
O que eu quero dizer é que o governo brasileiro pratica os mesmos atos e nós, por muitas vezes, nem ao menos percebemos.

Tá bom, DraftL… mas o que tem a Crimeia a ver com tudo isso?
A merda vai começar agora. Tudo o que eu escrevi antes foram apenas razões para embasar o que eu vou escrever agora.

Após a deposição do governo de Yanukovich, alguns dizem que ele foi pra Rússia, outros dizem que ele tá internado em estado grave devido a um ataque cardíaco e por aí vai. O que importa é que ele não está mais em jogo. Já deu pra ele.
O que houve há duas semanas atrás lá?
Mais precisamente, em 27 de Fevereiro, foi formado um governo de coalização aprovado pelo parlamento. Este governo encontra-se sob a gestão do premiê interino pró-europeu Arseny Yatsenyuk. É até bom falar de partido agora pois vocês entenderão mais tarde. Ele concorrerá pelo segundo maior partido do país chamado Batkivshchyna. Esse palavrão significa pátria. Sim! O nome do partido é pátria.

Arseniy-Yatsenyuk-in-Vilnius-DELFI-Photo-by-T.-Vinickas

O próximo candidato, que é o da foto abaixo, pretende concorrer pelo partido Udar. Uma piada de bom gosto seria boa agora. U = You / Dar = dar (dar mesmo, desferir). A palavra Udar significa soco. U (you) dar soco. RIARIARIARIARIARIARIA! Não riam pois o candidato é Vlitali Klitschko, um boxeador que concorrerá a presidência pelo partido Udar que significa soco. Doideira, né?

Agora vem a mulher problema. Iúlia Tymoshenko. Ela era a presidente da Ucrânia até 2010, quando Vitinho, mais conhecido como Viktor Yanukovich assumiu o poder. Tymoshenko estava presa desde 2011 por abuso de poder em um acordo sobre gás com a Rússia, em 2009. Foi julgada e pegou 7 anos no xilindró. Agora você, mancebo, criado a leite com pêra, ovomaltino (by away), pão com morTANdela, que fica horrorizado com crueldade dos nossos presos, imagine na Ucrânia, onde viver já é um desafio. Agora que vem a parte importante disso tudo: a pré-condição para a assinatura do acordo com a União Europeia era a libertação dessa linda virgem que está na imagem abaixo.

teemo

Aí o que o Vitinho pensou? Nem a pau, Juvenal.

Mas voltando ao primeiro citado, Arseny. Com a troca de governo, o Ocidente veio a reconhecer a troca de governo mas, nessa troca, o governo russo viu um momento ideal para um golpe de Estado, alegando que haviam ameaças aos cidadãos russos onde? ONDE? É lá! Onde o gato mia e o pato ronca: CRIMEIA!!

Sim! Precisamos de história para entender essa região da Crimeia, além de um mapa pois aprenderemos um pouco mais sobre algo chamado geopolítica.

— Escrevi pra caralho do nada deu pau no chrome quando fui upar uma foto e perdi boa parte então vai tudo no resumo —

Anteriormente disse que o norte e o oeste da Ucrânia têm uma população majoritariamente falante de russo. E que ao leste e ao sul são majoritariamente ucranianos. Contudo, como vocês podem constar, a região da Crimeia reside na parte sul. Então porquê eu não a coloquei junto à Ucrânia? Simples! Porque em 1992 a Crimeia se tornou independente, se tornando a República Autônoma da Crimeia, porém, preferiu continuar sendo integrante da Ucrânia.

A Crimeia

Hoje em dia, a maior parte da população da Crimeia fala russo e tem fortes ligações com o governo de Moscou mas nem sempre foi assim. Conheçamos um pouco da história dessa região mais abaixo.

A região da Crimeia em 1777 pertencia ao Império Turco. Porém, após a vitória do general Sudorov, durante o reinado de Catarina II ou Catarina, A Grande foi anexado ao território russo. A península da Crimeia possui uma área quase do tamanho do nosso Estado de Alagoas, com 2 milhões de habitantes.

Contudo, desde tal século (séc. XVIII) os turcos buscam uma maior influência na região dos Bálcãs. Esse .gif abaixo mostra o tanto que o Império Turco, atualmente Turquia, retrocedeu e a criação de pequenos Estados na região.

Em 1853, o czar Nicolau I, por algum motivo que eu desconheço, invocou o direito de proteger os santos dos cristãos em Jerusalém. Nessa época, Jerusalém pertencia a quem? Quem? Raimundo Nonato em Maranguape Ao Império Turco, lógico! A Russia invadiu algumas cidades, pá e coisa e tal, pá e bola e tudo mais e derrotou toda a frota otomana na batalha de Sinop.

Antes de entrar em guerra, o Império Otomano se tornara aliado do Reino Unido e França. Com a derrota naval dos turcos, Reino Unidos e França entraram na guerra. O Reino Unido pois temia que a conquista de Constantinopla por parte da Russia pudesse vir a acarretar um fechamento nos estreitos de Bósforo e Dardanelos, regiões importantes; e, por sua vez, a França, de Napoleão III, possuía um líder que buscava legitimação e essa era a oportunidade perfeita para se legitimar no governo.

Após diversas batalhas, a Russia perde a Guerra da Crimeia. Sim, amigos mancebos. Esta foi a ligeira narração da Guerra da Crimeia que todos ouvem falar mas ninguém se interessa em saber a razão. Mesmo perdendo, ainda possuía controle da região.

Alguns anos depois, mais precisamente em 1954, após uma maldita bebedeira (e coloquem maldita nisso) comemorando 300 anos da unificação da Ucrânia e Russia, Nikita Kruschev decide transferir o controle da Crimeia para a Ucrânia.

Vejam vocês como a vida é um saquinho de surpresas. Um país perde uma guerra e continua com a região mas enche o rabo de vodca e doa a mesma região que lhe fora tão cara.

Agora, senhores, vocês verão que os contornos começarão a tomar vida. Disse, anteriormente, que a bebedeira foi maldita em razão de Sebastopol ser a sede da frota russa no Mar Negro. Aliás, Sebastopol é considerada a “cidade da glória russa” e uma cidade da glória russa, não ser russa, é motivo para os russos serem cada vez mais russos, fazendo suas russices e preocupando meio mundo.

A Crimeia possui 12% de muçulmanos tártaros, ou seja, minoria muçulmana que vive na península do mar negro e que são contra a integração à Russia. Fuçando na net encontrei um texto do que Joseph Stalin, então líder da União Soviética em 1944, fez com muçulmanos que habitavam aquela região. Se quiserem, leiam. Se não quiserem, apenas pulem.

Os soldados soviéticos chegaram a meio da noite e disseram: “Peguem nas vossas coisas e venham connosco. Têm 15 minutos”. Mustafaia tinha sete anos, mas lembra-se bem daquele dia 18 de Maio de 1944. “Só houve tempo de pegar em duas almofadas e três cobertores. Eu, a minha mãe e os meus dois irmãos corremos à frente dos soldados russos para os vagões do comboio. Eles diziam que nos matavam se não corrêssemos. O meu pai não estava connosco, porque tinha ido para a guerra, onde veio a morrer”.

Milhares de tártaros das aldeias da Crimeia entraram naqueles comboios, que partiram rumo ao Uzbequistão. Ninguém lhes explicou porquê, nem para onde iam. Ninguém lhes disse que abandonavam a sua terra para sempre.

“A viagem durou 45 dias”, conta Mustafaia Halidé, que hoje tem 77 anos. “Não nos davam água nem comida. Morreram muitas pessoas no caminho. Dos que partimos, talvez só metade tenha chegado. Aos que iam morrendo, eles atiravam-nos para fora do comboio”.

Mustafaia vive hoje sozinha, na sua casa da aldeia de Novinka, a uns 40 quilómetros de Simferopol, a capital da Crimeia. Nasceu na aldeia de Markur, não longe daqui, numa casa que pertencia aos pais, e que eles tiveram de abandonar, quando ocorreu a deportação. “A casa ainda existe. Já lá fui três vezes vê-la. Pertence a russos”, diz Mustafaia. Nunca ninguém lhe disse que tinha direito a recuperar a casa, ou a qualquer forma de compensação. E ela também não protestou. Já se sente suficientemente grata por poder de novo viver na Crimeia.

“Quando chegámos ao Uzbequistão, puseram-nos a viver num curral para animais, em Sheridan. A família ficou separada: a minha mãe num curral, nós noutro. Nos primeiros tempos, passámos muita fome. Apanhávamos erva para comer. Aos 10 anos comecei a ir à escola, mas iam buscar-me todos os dias, para trabalhar na apanha do algodão. Era nisso que todos trabalhávamos, para sobreviver”.

Mustafaia viveu 47 anos no Uzbequistão. Casou, teve cinco filhos. O marido morreu há 49 anos, nunca voltou à Crimeia que abandonara na infância. E Mustafaia, tal como todos os tártaros, nunca soube porque teve de passar toda a vida numa terra estranha. “Na altura, ouvimos dizer: ‘Os russos querem a Crimeia para eles!’ Mas só agora é que lemos, na internet, coisas sobre as razões do que se passou”.

A traição como pretexto
Na internet, 60 anos depois, Mustafaia e os filhos leram que a deportação dos Tártaros foi um castigo de Estaline por eles terem, alegadamente, colaborado com os nazis. “Não conheço ninguém que tenha ajudado os nazis. O meu pai combateu no Exército Vermelho, contra os nazis, e morreu na guerra. Deu a vida pelos russos, enquanto eles lhe deportavam a família”.

Fekret Seferchaiev, de 78 anos, vive numa outra casa de Novinka, e foi deportado no mesmo dia de Maio de 1944. Eram uma família de nove pessoas, só um dos irmãos estava na guerra. “O medo foi tão grande, que não levámos nada. Perdemos a casa, perdemos tudo. Quando chegámos lá, meteram a nossa família e mais outras três num barracão sem janelas. A água que bebíamos estava contaminada, a minha mãe, o meu pai e uma das minhas irmãs morreram com uma infecção duas semanas depois de termos chegado”. Segundo os historiadores, mais de 40 por cento da população tártara morreu nos primeiros anos do exílio, devido às más condições de alimentação e higiene.

Os seis irmãos sobreviventes foram separados e entregues a diferentes famílias, no Cazaquistão. “Para não morrermos à fome, éramos obrigados a trabalhar para eles, a tomar conta das vacas”, diz Fekret. “Por isso não pude ir à escola. Sou analfabeto”.

A falta de instrução impediu mais tarde a sua ascensão no Partido Comunista, onde se inscreveu, não propriamente por acreditar na bondade do socialismo, mas para tentar aceder a um bom emprego. “Cheguei a trabalhar em Mosvovo. Queria ser um homem poderoso. Mas não me deixaram”.

Os tártaros, grupo étnico de origem turca e religião maioritariamente muçulmana, representam hoje cerca de 10 por cento da população da Crimeia. Mas sempre foram a maioria, e, até ao século XVIII, constituíram um estado independente, o Canato da Crimeia, uma das maiores potências da Europa oriental.

Com a derrota do Império Otomano pelos russos, em 1774, o Canato deixou de ter a protecção dos turcos e foi anexado pelos russos. Mais de um milhão de tártaros fugiram então para várias regiões otomanas. Após a revolução de 1917 os Tártaros chegaram a criar a sua própria república independente, que seria no ano seguinte destruída e anexada pelos bolcheviques.

Durante a Segunda Guerra, uma Legião Tártara colaborou com os nazis durante a ocupação alemã da península. Várias unidades tártaras, por outro lado, combateram os nazis no Exército Soviético. A “traição dos tártaros” não pode portanto ter sido mais do que o pretexto para o decreto de Estaline que deportou todo o povo tártaro numa só noite. O verdadeiro motivo terá sido despovoar as regiões de maiorias étnicas não-russas, para prevenir problemas na periferia do império. Alguns historiadores sérios afirmam porém que a deportação se deveu simplesmente à loucura de Estaline.

Quando, nos anos 80, começou a Perestroika na URSS, Mikhail Gorbatchov autorizou os Tártaros a regressarem à Crimeia. Muitos aproveitaram, apesar de Moscovo nunca ter concedido nenhuma compensação nem subsídio, nem sequer ter pedido desculpa aos Tártaros.

“A vida inteira à espera disto”
Susana Seferchaieva, 42 anos, nora de Fekret, construiu a primeira casa da aldeia de Novinka. “Aqui não havia nada, eram campos apenas”, recorda ela, que chegou grávida, em 1991, do Uzbequistão onde nasceu. “Os meus pais foram deportados e morreram lá, em Tashkent. O seu sonho era um dia voltar à Crimeia, por isso eu estou aqui, por eles”.

Várias aldeias foram construídas de raiz, porque as antigas estão hoje ocupadas por russos. “Eu voltei porque a minha terra é aqui”, diz Mustafaia. “Os velhos estavam a morrer, ninguém traria para aqui a nossa memória. Eu tinha de vir. Senhor Estaline, não morri, por isto estou na Crimeia”. Trouxe os filhos, que hoje não têm emprego, por causa da crise económica na Ucrânia, mas nem por isso lhes passa pela cabeça emigrar. “Daqui não saímos mais”, diz a mulher, na sua casa forrada a papel de parede cor-de-rosa, com os sofás cobertos de rendas, um lenço de seda amarela emoldurando-lhe o rosto moreno.

Já não somos a maioria porque metade morreu, e outros ainda estão das terras de exílio. Mas a Crimeia é dos Tártaros. Se os russos vierem, eu não fujo. Morro aqui a combatê-los. Não acredito que eles respeitem os Tártaros”.

bbbbMustafaia está ao lado da revolução de Maidan, que “tem o direito de lutar contra chefes corruptos”. E o único líder russo de que gosta é Gorbatchov. “Estaline o que devia fazer era comer merda. E Putin, se eu pudesse, matava-o”.

Fekret, que tentou ser poderoso numa Rússia que nem lhe permitiu aprender a ler, tem agora toda a família na Crimeia. “Passei a vida inteira à espera disto. Poder ter a minha casa, a minha família, a minha terra. E agora tudo pode voltar atrás. Estamos aqui há 15 anos, e antes nada existiu. Isto é a nossa vida”, diz ele, chamando as três netas, que já nasceram na Crimeia. Fatineska é a mais nova, tem 7 anos e um olhar doce e frio que entende tudo.

“Agora temos uma vida normal, integrados na Ucrânia, mas estou certo de que os russos vão tentar destruir isso. Fizeram-no na Tchetchénia, vão fazê-lo aqui. Mas nós desta vez vamos combatê-los”, diz Fekret.

Susana, mãe de Fatineska, diz a rir: “Desta vez não nos deportam, porque temos os nossos homens connosco”.

Texto retirado de publico.pt

Chegando aos dias atuais, como havia dito anteriormente, com esse governo interino na Ucrânia, a Russia viu a oportunidade perfeita de retomar a Crimeia que, após uma bebedeira, foi cedida à Ucrânia.

Nestas últimas semanas, o que vemos é a russa cínica. Na madruga de 27 de Fevereiro, diversos homens com fuzis, uniformes camuflados e sem identificação invadiram o parlamento da Crimeia, em Simferopol, capital do país. O parlamento, por sua vez, fica em uma rua chamada Karl Marx, coincidência, não? Todos estes homens falavam russo e não deixaram os funcionários entrar. Dois dias depois, no primeiro dia de carnaval em primeiro de Março, 16 mil soldados que falavam russo e também sem as devidas identificações, cercaram as bases militares da Crimeia.

Na quinta, 6 de Março, dois canais de televisão pró-Ucrânia tiveram a transmissão interrompida e passaram a ser sintonizados no canal Russia 24. E é aí que está um dos pontos principais: a população comemorou.


Comemorou pois, após subjulgar os turcos daquela região, impôr suas vontades e interesses, após fazer uma tremenda merda (referente à bebedeira que cedeu a Crimeia à Ucrânia), acarretou na diminuição substancial da população turca e provocou um aumento na população russa. Simples! A equação é simples. A questão toda disso é: isso tudo durou três séculos. É uma história triste? Sim. Mas e agora? Ajudam os povos turcos – que estão cobrando a ajuda da Turquia – ou deixam eles se foderem ficarem sob a influência de Moscou?
Em relação ao cinismo, Putin, quando questionado sobre ter enviado tropas à região da Crimeia, negou: “Olhe para as ex-repúblicas soviéticas. Você pode ir a uma loja e comprar uniformes. Eram soldados russos? Não, são forças bem treinadas de autodefesa.”

Nestes últimos dias, Lavrov e  John Kerry se reuniram. A reunião foi a portas fechadas mas nada foi resolvido.

A União Europeia liberou US$ 15 bilhões em empréstimos para Ucrânia, mais US$ 1 bilhão aprovado pelos Estados Unidos para auxiliá-los nesta crise

Putin, em algumas declarações, até mesmo para Bush em 2008, deu a entender, com todas as letras, de que queria a Crimeia de volta. Para ele (Putin), o maior acidente geopolítico do século XX foi o desmantelamento da União Soviética.

Um pouco de geopolítica

A geopolítica é necessária para os movimentos da região. Falarei brevemente sobre o tema de forma descomplicada. A geografia política se difere da geopolítica. A geografia política é um ramo da geografia que se dedica ao estudo da interação política e território. A geopolítica, por sua vez, já é algo mais abstrato e mais ideológico pois orienta ao Estado o que fazer para ter seus interesses atendidos. A geopolítica é uma vertente do ramo da política.

Após a Segunda-Guerra Mundial, a então URSS de Stalin buscava anexar territórios livremente. Contudo, esse ímpeto foi cessado após diversas manobras políticas dos EUA e Reino Unido.

Durante todo o período da Guerra Fria, foram criadas barreiras contra a atitude geofágica de Moscou. O que Moscou estava a fazer não era diferente do que Hitler também buscava: a saída para os mares quentes. Assim como a Alemanha, esta sempre foi a maior vontade de Moscou. Possuindo um poderoso exército terrestre, chegando aos mares navegáveis, constituir-se-ia em uma potência anfíbia, não havendo igual potência no mundo.

Como fora dito, coalizões foram necessárias para barrar as intenções da URSS. Na Europa, foi criada a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que zela pela proteção da Europa. Ela foi criada exatamente para interromper o avanço de Moscou. No ano anterior foi criado o Plano Marshall, plano de auxílio econômico e comercial, destinado a reconstruir a Europa e puxar os países europeus para a esfera americana. Por um lado, o Plano Marshall se desdobrava em ajuda econômica, por outro, a OTAN era o braço armado que protegeria a Europa.

Na Ásia, a OTASE (The Southeast Asia Treaty Organization – Organização do Tratado da Ásia do Sudeste). Este tratado foi assinado após a Guerra das duas Coreias. A Coreia do Norte, comunista e parceira da União Soviética foi contida pela Coréia do Sul, aliada ao bloco ocidental. Mas até aí nada, né? Só que se a Coreia do Norte vencesse a Guerra das Coreias, muito provavelmente aceitaria a implantação de uma base naval soviética na região da Coreia do Sul, que é insular. Isso faria com que o grande urso, pudesse nadar. E aí fodeu pra todo mundo!

Ao norte não tem tanto problema porque a Rússia é cercada por gelo. Agora, as coisas estão mudando rapidamente por causa do degelo e a Rússia emitiu uma nota reclamando o Ártico como sua propriedade.

Ao sul é a região que foi chamado de ventre mole. Esta terceira frente foi criada no intuito de proteger as reservas petrolíferas localizadas na região do Oriente Médio, impedir o domínio do Golfo Pérsico pelo governo de Moscou e vedar o acesso do mesmo em direção ao Oceano Índico.

Logo, desde sempre os Estados Unidos seguram essa pica enorme o avanço da Rússia em direção aos mares quentes. É isso que está em questão agora. A vontade da Rússia de avançar os mares quentes não adormeceu. A história está acontecendo novamente só que em outros modelos.

Brzezinski, autor da Nova Doutrina de Contenção, propôs que os EUA esgotassem a União Soviética em outros termos que não somente fossem militares pois, neste âmbito, as duas encontravam-se equiparadas. O governo soviético era uma potência unidimensional, ou seja, somente militar. Já os Estados Unidos eram uma potência multipolar: potência científica, tecnológica, econômica e militar. A União Soviética só venceria de forma tradicional, através do combate armado direto. Por não haver esse combate armado direto que a guerra não foi quente, recebendo o nome de Guerra Fria. Por si só, decairia como resultado de sua incapacidade econômica.

E assim é o desfecho da Guerra Fria. Contudo, nos dias atuais, essa vontade Russa não desapareceu como mencionamos acima.

Vamos aguardar os próximos episódios desta novela.

Considerações Finais

O que nos resta é aguardar e ver qual será o desfecho. A Rússia se faz de cínica mas ao mesmo tempo vive um dilema: com a falta de investimentos diversificados, o comércio russo de gás responde por 70% de sua economia. Ou seja, se entrarmos em Guerra corto o gás, financio minhas empresas e parto pra guerra mas não conseguiria me sustentar sem o dinheiro europeu, ou continua nesse estado de cinismo e inação pra ver no que dá.

No próximo dia 16 de Março haverá um referendo sobre anexar-se a Russia ou não. No referendo o povo opina sobre uma lei já constituída, ou seja, tem termos legais a lei já existe mas não está em vigor. E provavelmente a resposta será positiva sobre essa anexação tendo em vista que a maior parte dos habitantes da Crimeia querem a anexação ao território russo.

Segundo Obama, o referendo viola o direito internacional. Se alguém puder, por favor me explique porque eu não sei.

Espero que tenham gostado, folks… foi muito bacana escrever sobre um tema que eu gosto. Demorei umas 15 horas entre escritas e pesquisas. Se houve algum fato histórico em que eu tenha me equivocado, me avisem que eu corrijo. Para o post não acabar tão insosso, mais algumas fotos e vídeos dos protestos ocorridos por lá, antes da deposição do Vitinho Lekão.



 



É o que eu disse. As manifestações possuem – certamente – diferenças mas atos como esses, jornalistas apanhando arbitrariamente, acontece em todo o mundo.

Espero que tenham gostado do post e ficado mais informados. :)

Written by DraftL

O que está em cima é igual ao que está embaixo e, o que está embaixo, é igual ao que está em cima, para realizar os milagres de uma coisa única.

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