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Psiquiatras relatam suas experiências mais profundas com pacientes

Olá pessoal, hoje vos trago relatos de psiquiatras sobre algumas frases mais marcantes de seus pacientes. Doenças mentais sempre foi algo que me chamou a atenção, por se tratar de algo incontrolável, as vezes tão severa que leva a pessoa tirar a própria vida, muitos exemplos nos deixam claro que não controlamos nosso cérebro, mas sim ele nos controla. Considero extremamente errado quando alguém faz questionamentos do tipo “como ela teve coragem de tirar a própria vida” ou “isso é falta do que fazer”. A medicina está muito avançada para termos esses pensamentos primitivos. Doença mental é algo muito delicado, e que deve ser tratado com muito respeito por todos. Não espero que vocês se sintam confortáveis com a leitura, mas que tenham uma ideia, por menor que seja, de como é viver nesse triste universo. No final coloquei um link para mais relatos. Boa leitura.

Relatos:

Eu trabalho com crianças. Tinha um menino no meu consultório (provavelmente com idade entre 7 e 9 anos). Ele teve dificuldade no passado (não viveu com os pais, presenciou o uso de drogas, etc). E tudo com que ele brincava batia, explodia ou era destruído de alguma forma. Eu perguntei a ele o motivo disso:  “Bem, se você ficar bravo com os adultos que te deixam louco, você se encrenca. Mas se você fizer uma explosão imaginária com o seu carro, eles acham que você está brincando”.


Quando eu era estudante de medicina em psych tive um paciente esquizofrênico que disse: “Eu sei que vocês estão tentando me ajudar, mas outras pessoas estão me puxando para longe de vocês, e estão fazendo isso agora”. Estávamos somente nós dois na sala.


Trabalhei com uma menina com controle de impulso que perdeu a mãe e tinha pai abusivo: “Você não entende, você tem pessoas para te amar, ninguém me ama, exceto você”. Isso me destruiu emocionalmente.


“Meus braços sentem sua falta.” Foi assim que um paciente autista, de dez anos, me pediu um abraço.


Um paciente com esquizofrenia me descreveu como é ficar o dia inteiro trancado em um quarto com o rádio muito alto sem poder abaixar o volume.


Uma criança com autismo que estava tendo dificuldade em fazer e manter amigos me disse: ‘Tudo bem se você não tiver amigos. Ter amigos te deixa feliz mas não te torna uma boa pessoa. Você sabe quem era bem popular? Hitler”. A menina era tão sozinha e sofria tanto por conta disso, mas ainda conseguia ver a diferença entre ser popular e ser bom.


“O que mais atrapalha é a imagem na nossa cabeça que mostra como as coisas deveriam ser.”


Lembro de um paciente que disse: “Eu acho que eu perdi a transição de quando o terreno é lava e amigos imaginários se tornam esquizofrenia”. Isso partiu meu coração.


“Eu não era sempre assim, eu estava em um acidente de carro. Fui para a direita através do pára-brisa.” Relato de um dos meus pacientes de 60 anos com psicose.


“Imagine que cada pequena decisão parecia que tinham consequências de vida ou morte.” Um dos meus pacientes descrevendo como viver com um transtorno de ansiedade.


“Eu quero me matar, mas eu não quero morrer. Acredite ou não, são duas coisas muito diferentes”.


“Eu gosto de você Jace, eu não ligo para o que as vozes dizem sobre você”, dito por um cliente com transtorno esquizoafetivo.


Eu estava entrevistando um paciente bipolar. Perguntei-lhe como ele descreveria a si mesmo: “um amante altruísta da verdade e da beleza”. Então perguntei-lhe como os outros iriam descrevê-lo: “um pedaço de vagina, provavelmente”.


“A medicação fez as vozes irem embora. Estou sozinho agora.”


“Eu sou um investigador canibal. Quão louco é ter esse trabalho? Você acha que alguém poderia apenas ir até essas pessoas e dizer: ‘Ei, você! Pare de comer pessoas!’”. Uma mulher esquizofrênica com delírios de que ela estava trabalhando para o FBI investigando molestadores crianças e canibais. Também acreditava que sua irmã gêmea estava tentando roubar sua identidade. Após cerca de uma semana de tratamento, ela ainda tinha as mesmas ilusões, mas já não estava realmente preocupada com eles.


“Eu não quero me matar. Eu quero matar a parte de mim que quer me matar”.


“Ela se esqueceu de trazer meus fones de ouvido e eu sou o único louco!” Ao final da visita um dos meus pacientes gritou porque sua esposa esqueceu de lhe trazer os fones de ouvido. Foi algo que provocou risos nos demais.


“Eu não sei qual é meu maior medo: que um dia eu vou acordar com a vontade de me matar, ou que nunca irei fazer isso”.


Um paciente com bipolaridade em uma casa de repouso: “Eu não tomo meus remédios para me corrigir, porque não há nada de errado comigo. Eu tomo porque todo mundo aqui é louco e eu preciso deles para me encaixar.”


Um paciente com esquizofrenia me disse uma vez: “As vozes dizem que posso confiar no senhor”.


“Sentir dor é melhor do que não sentir nada”. Isto veio de um adolescente no salão juvenil ao retornar de um porão psiquiátrico para comportamentos auto-prejudiciais. Ele explicaria durante a próxima sessão que esta era a razão para bater com a cabeça contra uma porta de aço; ele não conseguia sentir nada. Nenhuma tristeza, nenhuma alegria. Nada. Ele precisava sentir.


“Eu estava sempre com medo de morrer como uma criança e ser esquecido. Mas agora estou com medo de morrer mentalmente e emocionalmente e deixar uma casca vazia. Assim, só vou ter esquecido de participar do meu funeral.”


“Eu me sinto como um fantasma andando por aí sem ser visto no cenário dessas outras vidas felizes”. Alcoólatra de 56 anos.


“As pessoas não usam drogas para se sentir bem. Elas usam para se sentir menos mal”.


A partir de um paciente com esquizofrenia que havia sido demitido por vários médicos porque estava pouco cooperante. No entanto, conforme me comunicava calmamente, ele contribuiu. Então eu perguntei a ele por que ele não aceitou trabalhar com tantos médicos anteriores. Com estranha clareza focada, ele disse; “Você acha que nós somos estúpidos? Nós sabemos quem realmente quer nos ajudar”.


“Eu gostaria de poder apenas parar de me importar com o que as pessoas pensam sobre mim e me livrar da minha ansiedade, mas mentir para mim mesmo é o que me trouxe aqui em primeiro lugar.”



Abaixo segue um vídeo (áudio) de como é ouvir vozes que estão somente na sua cabeça, é necessário usar fones de ouvido: (bom, eu me caguei aqui)

Segue o link para mais relatos:

www.reddit.com



Uma sugestão para o leitor é o filme Uma Mente Brilhante (2001):

Sinopse: “John Nash (Russell Crowe) é um gênio da matemática que, aos 21 anos, formulou um teorema que provou sua genialidade e o tornou aclamado no meio onde atuava. Mas aos poucos o belo e arrogante Nash se transforma em um sofrido e atormentado homem, que chega até mesmo a ser diagnosticado como esquizofrênico pelos médicos que o tratam. Porém, após anos de luta para se recuperar, ele consegue retornar à sociedade e acaba sendo premiado com o Nobel.”

Um abraço e até a próxima pessoal

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Written by Mach

Eu faço bolos tbm, encomendas pelo email mach_6@hotmail.com

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